3.7.09


Rui Effe- Hand Job

por Miguel Matos


«É através de um outro que me torno um eu livre. Eu descubro-me como um eu livre através da sapiência do outro» - Rui Effe

Se até ao presente projecto, o trabalho de Rui Effe denotou sempre uma tendência para discursar sobre a dor física e emocional, sempre num registo metafórico em que o corpo e as suas incapacidades e/ou limitações eram omnipresentes, desta vez, o artista muda a sua entoação. É agora o conhecimento próprio através de uma ligação a um outro que está em questão.

A série Hand Job começou com um conjunto de experiências em colagens sobre recortes/silhuetas sob o tema da masturbação. A masturbação entendida como “modalidade” de extracção daquilo que está dentro de nós. A masturbação como exploração, não apenas auto-exploração como também exploração do prazer do “eu” através de um outro – a mão do outro. Um outro indefinido, uma entidade que não vemos, que não se deixa ver. Apenas a mão, o instrumento exploratório, simbólico. O corpo que vemos em silhuetas é sempre o corpo próprio, nas suas múltiplas dimensões, personalidades. O corpo social, o corpo psicológico, um corpo carnal, o corpo das emoções. Muito embora nunca nos seja dado a ver algum traço identificativo ou pessoal da personagem, aqui e além vemos um coração, um órgão vital, elementos dos quais não sabemos a proveniência, poucos, mas que nos indiciam uma orientação pessoal. Em todo o caso, há nesta série um claro afastamento plástico, técnico e psicológico em relação à sua anterior exposição individual, Circo Completo, na Galeria Bernardo Marques. O corpo fragmentado que Rui propõe em Hand Job não o é pela mutilação mas sim pelo explorar de diferentes realidades dentro de uma mesma. Ecos de obras e séries mais afastadas no tempo como na exposição My Poche and My Pocket, apresentada no Porto e em Braga.

A um nível meramente plástico/estético, existe uma aproximação inconsciente aos universos visuais de um António Palolo (em inícios de anos 80), em período constituído por telas que representavam a figura humana através dos seus contornos. De facto, nesta fase, encontrar o seu “eu” era também a demanda deste pintor, uma chadada “metafísica pessoal” repleta de figuras que questionam o “eu” e evocavam uma ancestral memória colectiva. Contudo, sabemos que Rui Effe não teve contacto prévio com estas obras de Palolo e, para além disso, os diferentes rostos que nos aparecem em contornos incertos são sempre alter-egos do artista, sendo apenas as mãos os elementos pertencentes a um outro elemento humano. Por outro lado, se quisermos encontrar mais analogias, o desenho de contorno, o decalque, a cópia anatómica praticada por Rui Effe encontra ecos no trabalho de Lourdes Castro que trabalhava a sombra de seus amigos, tal como Effe retrata-se através de corpos de seus conhecidos, contornando-os no papel como Lourdes Castro contornava os seus em lençóis de sombras. Em ambos, os corpos unidos. Ou a ausência deles testemunhada pelos seus traços. Em todo o caso, há que realçar que o desenho pelo contorno é o sinónimo de corpo desnudado. «Toda esta redundância tem a ver com o facto de procurarmos incessantemente o nosso próprio prazer, o prazer da própria imagem e dar aos outros aquilo que realmente entendemos, julgando sempre que o que nos preocupa é uma inquietação comum», explica o artista.

Não sabemos se este é um registo de work in progress, sabemos ser um projecto livre e impulsivo, de contornos autobiográficos. Hand Job é, certamente, um ponto de viragem.


Radiografia

Rui Effe nasceu em Braga em 1974. É licenciado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto com pós-graduação em Direcção Artística pela Escola Superior Artística do Porto. Pós-Graduação em Estudos da Criança – Comunicação Artística e Expressão Plástica no Instituto de Educação da Criança da Universidade do Minho. Foi o Director Artístico do projecto/exposição Este é o Meu Corpo (2006), no Museu dos Biscainhos, Braga. Fez as ilustrações do livro São Salvador do Mundo (2007), com texto de valter hugo mãe para o projecto Pintar de Verde o Douro, Ministério da Cultura. Expõe desde 2000, salientando-se as seguintes individuais: Ma Poche and my Pocket (2000), no Museu Nogueira da Silva, Braga, Disconnected (2005), na Casa das Artes do Porto, Circo Completo (2008), na Galeria Bernardo Marques, em Lisboa. Das exposições colectivas salientam-se o Projecto IMAN (2007), no Festival de Arte Experimental, Casa das Artes de Famalicão e 7 Projectos Individuais (2008), na Cidadela de Cascais. Participou na Arte Lisboa 2008.

O projecto Hand Job, de Rui Effe, está patente na Galeria Fábulas (Calçada Nova de São Francisco, nº14) ao Chiado. De segunda a sábado das 10h às 24h. Uma exposição Umbigo, com curadoria de Miguel Matos e Elsa Garcia. Até 20 de Julho.

in UMBIGO MAGAZINE

25.6.09





16.6.09

20.5.09


E o "GLOBO DE OURO", na classe de melhor comentário no meu Blog, vai para ...
Luis Bernardes

Luís Bernardes disse...
"Ò Rui, aqui entre nós, e a Margarida que também já entrou na caixa de fósforos, pelo amor de Deus. Tu deves estar a precisar é de sair de casa e usar as mãos para coisa que valham a pena; cumprimentar pessoas, beberes uma cerveja... Pensa é em coisas que valham mesmo a pena serem trabalhadas pelas artes-plásticas, pintura, escultura ou outra área qualquer. Tens coisas melhores onde gastar a tinta Rui. Só não te mando foder porque tenho medo que leves a sério e violes alguma rapariga ou rapaz. Vai à merda. (Vai mas é estudar que é o que estás a precisar. Hand jo!, vai-te foder) "


Bem Hajas!
Senhor  LUis Bernardes.

A informar que não conheço este senhor/a de lado algum, o que me satisfaz. Não lido com traidores, e quando isso acontece a lide é bem diferente.
AHH, PASSO A INFORMAÇÃO QUE já se descobriu o seu IP... porém, mais adendas sobre esta classe de gente não interessa nem à imagem mais pequenina do menino Jesus.

11.5.09

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Aqui está  a promoção à próxima exposição a realizar bem em breve no no chiado. 

Toca a mexer dia 19 - todos a bulir - Hand job - (brevemente) mais coordenadas.

Atenção - esta imagem é só promo, nada tem que ver com os rabiscos que por lá se apresentarão.



Estive longe, voltei.

Isto de andar aos beijos, de andar a brincar com outros blogs, facebook, às escondidas e ao pião, deu para uma pausa no "esteeomeucorpo".

Está prometido, actualizarei este espaço com maior frequência.

A ver no que dá.

13.4.09



um blog que promete.
espreita a FOLHA DE SALA



12.4.09

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"imagem roubada"
nan goldin´s catalogue 

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pronto, aderi ao face book, 
que fazer?

1.4.09

had job series
grafite e acrílico sobre tela




 (hand job series)


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A arte tem um preço. 
#"Hand Job" é uma série que fala sobre o valor da masturbação enquanto forma de se compreender a si mesmo, de se tentar construir ao prazer do momento...
segundo o autor,"tal como acontece na masturbação, se for usada uma mão que não seja a nossa, o prazer pode ser redobrado, por analogia, a construção própria é também mais facilitada e prazerosa a dois...a masturbação como metáfora para o remexer das nossas coisas"#
m. matos in Time OUt LIsboa

22.3.09



"A democratização e o acesso à arte são questões que definem a identidade 
de qualquer espaço urbano, com o Mural Magnético do JANELA URBANA LIVE at’YRON 
os visitantes poderão iniciar ou completar a sua colecção de arte, adquirindo a um preço único 
e acessível a sua janela magnética, uma colecção de ímanes personalizados e de edição limitada, 
da autoria de criativos como Andy Gilmore, Bruno Roda, Leonor Morais, Renato Lopes e Rui Effe."

JANELA URBANA LIVE at’YRON decorre de 18 de Março a 30 de Maio.

YRON
Rua de São Bento, 170, Lisboa
T. 21 404 3884

27.2.09

hand job serie
grafite e acrílico sobre tela
hand job serie
grafite e acrílico sobre tela
Muito gosto eu das vinganças e dos heróis...
Muito ocupado, depois atendo-te.

4.2.09

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Biblioteca Pública "Antonio Odriozola", donde la pasada tarde se inauguró la exposición Pintar o verde, una producción de la Direcção Regional de Cultura do Norte de Portugal. El acto contó con la presencia de la delegada Helena Gil, acompañada por otros miembros de su equipo, como Joao Luís Sequeira, Ana Araujo y António Andreso Neto. Los escritores Eugénio Roda, Valter Hugo Mae y Anabela Mimoso, y los ilustradores Rui Effe, Cristina Valadas y Paulo Araujo, todos ellos participantes en la muestra, también quisieron estar en Pontevedra en representación de la cultura de su país. 

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hand job serie
acrílico e óleo sobre tela - colagem


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1.2.09

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30.1.09

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acrílico, óleo e caneta sobre tela - 50x70cm
hand job serie
peça pertencente a colecção particular M.Pinto

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29.1.09

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Não sou professor, mas se o fosse ensinava a mim mesmo as técnicas de o não querer ser.
Até porque, diz-nos a vidinha que, os melhores professores são, deveras, e em grande maioria, aqueles que nunca tiveram formação para o ser.
Os professores não se fazem, são-no.

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21.1.09

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hand job serie
técnica mista sobre tela 

18.1.09

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A hand job is when, someone else jerks a guy off. It´s masturbation, but with someone else's hand.
you have a nice hand for jerk me.
do you want try?

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16.1.09

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hand job serie

15.1.09

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hand job serie

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11.1.09

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acrílico e caneta sobre papel

hand job serie

8.1.09

para as manhãs frias


Uma das minhas companhias no caminho para os queridos dias de trabalho. 
Só vale se ouvido com o volume no ximo e fazer dela uma banda sonora da vossa "FAME" matinal. Caso contrário esqueçam :). 
E... se se deram ao trabalho de SABER A LETRA e berrar enquanto o carro, o autocarro, o metro ou os patins deslizam a caminho do vosso destininho de pequeninos mortaizinhos, acredito que lá chegarão mais roucos.
Uma mistura de girls band destas da moda com uma britney mais que pop aos saltos bem altos sem ser coelhinho. Uma das maiores revelações da Pop Music no Reino Unido, diz-se, mas, ao que for, servem muito bem para ajudar, se cantarmos com elas, a purgar a alma e o catarro antes de um dia de trabalho.
Podem crer que resulta, até aposto que irá ser adquirida pelos ginásios portugas. Ou já foi?
Por isso, mesmo sem halteres nas mãos, a fazer o pino ou a dar uma cambalhota espalhem o frio do corpinho com esta música maricóla.
Aqui fica um cheirinho das boazaças "the saturday" com "UP".
Uma piscadela de olho, um beijo, um abraço e uma ferradela no caxaçu.
Qual pimba qual quê????
P.S. - Nao ouçam é o álbum todo que até doi....

GO   GO   GO



Discover The Saturdays!

7.1.09

to Birmingham



I'm sorry that you chose to follow that path
knowing that the rest and the least of you I would never become.
I'm sorry for knowing, I'm sorry, that the way back is disguised by accommodation and habits.
I'm sorry for not letting you know that the nights they are less than dimmed lights,
they are harder to live than dreams
from where I stand, I'm sorry for the words that I have never told you,
the words that would spare your suffering and represent your truth, maybe.
I'm sorry for the time you cried
for not having rocked you in my small arms,
I'm sorry for being unable to deal with the weight you carried on yourself.

6.1.09

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-acrílico e esferográfica sobre tela.


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hand job serie

4.1.09

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hand job

24.12.08

uma história pelo natal
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Uns noventa anos no lombo e os dentes do marido, feitos em brincos, nas orelhas.
Suzete, era a mulher que viu Salazar a fugir entre os arcos da biblioteca principal quando rebenta o golpe de estado.
Já engoli muito lixo menino, disse-me ela esfregando a barriga que lhe trespassava o peito do avental.
Sou do tempo em que os olhos eram das lágrimas enquanto comíamos da mesma travessa.
Sabe lá o menino o que isso é. Já ouviu falar de amor e incerteza?
Trazia no pescoço um terço, preso nele a imagem do sagrado coração de Jesus e um S. António.
Nos dedos, vinte e cinco anéis, distribuídos ainda às escuras por altura do despertador tocar.
Suzete era uma mulher saciada de histórias e adereços.
O marido tinha sido um dos guardas de Salazar que ficara sem os dentes durante a fuga de Abril.
Embatera numa das colunas duras e rijas que teimavam assistir a tudo.
Pelas suas marcas, aquelas barras, contam ainda hoje histórias de fugitivos e desdentados.
Os dentes foram encontrados e hoje eram os brincos de Suzete.
Ó menino, soubesse eu do meu marido para lhos tornar a pôr.
O marido de Suzete tinha desaparecido pelo meio da multidão disfarçando com os seu casaco as feições de Salazar.
Sabe que ouço por aí dizer que o presidente ainda é vivo e quem enterraram foi um dos seus colegas de poker?
E olhe que o meu marido, menino, não sabia jogar poker.
Abençoada burrice dele nos naipes para me fazer mulher com esperança.
Já me cambaleio, como vê menino.
Cambaleio por ser mulher ausente de um amor que dele só o sei desdentado.

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18.12.08









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Acabou de facto, há muito, a ideia do sentido único, da unicidade que acarretava o distanciamento que afastava o observador de qualquer objecto artístico, assim como o sentido elitista a que a sua imagem se predispunha.
Acabou de facto há já muito tempo o saber daquilo que é nosso ou daquilo que porventura sempre foi, quer no sentido da construção quer pela sua reprodutibilidade em que as imagens se constroem, pois falamos do mesmo.
O que é autentico é a realidade vivida e por isso a soma-tização de todas as imagens pelo indivíduo reconstruídas.
Não só a arte foi libertada da cela da sua unicidade como a palavra se tornou mais democrática.
É o de "isto é de quem" que torna a estética fora de qualquer circuito egoistamente de um só autor.
Somos, ou sou, a favor de uma identidade própria, mas, propriamente bem reconstruída. Leia-se reconstruída.
É a fuga ao totalitarismo de qualquer movimento ético/estetico que contraria as leis enraizadas leis da terra.
Quem é o autor? E a mulher que o pariu quem será?
A mulher que o pariu, reconstruiu-se com a ajuda de alguém na criação de uma reconstituição de si e de um outro seu par simpático no seu autor rebento. Assim o autor é a descendência e a descendência é a reprodutibilidade.
A parideira e o ajudante foram socialistas, democratas e contribuíram para a "politização" da sua imagem, o filho autentico.
Este autor, filho da reprodutibilidade em sua altura criará também, seja aquilo que seja, pelas leis naturais da reprodutibilidade e assim sempre chamado autor tal como os seus pais.


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11.12.08

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hand job serie

10.12.08

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hand job serie
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De manhã o sol não entrava pela janela como era costume. As nuvens rasteiras andavam por ali a espreitar pelas redes enferrujadas, os galinheiros e os ovos frescos. Por ali, ao contrário das noites, os dias não costumavam ser tão bonitos.
O colchão ainda estava quente das esfregadelas havidas na noite anterior. Húmido, mas não totalmente húmido que fosse resultado de ter levado alguém a entrar na glória dos orgasmos.
Teriam sido interrompidas as finais erupções leitosas quer do cliente quer da filha da caseira?
Em forma de estrela, por trás do pipo grande, uma pequena porta secreta prendava pela sua passagem todos os clientes como o tesão que faz qualquer osso ranger de ansiedade. Para um buraco tranformado em quarto, de braço dado, Marta arrastava consigo, pela porta em estrela feita, um casto pecador. Era a entrada no céu. Um céu onde o prazer e os temperos da carne eram acima de tudo os brindes mais requintadamente oferecidos. Sem necessidade de qualquer chave a filha da caseira tornava-se amor desde a entrada até se despedir do casual amante com um beijo. Um céu de madeira, embebido em sabedoria e testosterona, onde o deus e senhor era uma mulher que abria bem as pernas. Não se julgava nem mais nem menos puta que as outras putas todas, no entanto, não se condenava em absoluto pelos afazeres a que se propunha, fazia-se mais luminosa por cada ida àquele céu. Dada a internacionalização do poder da sua abertura de ancas e do interesse em ser mais feminina que a Marilyn Monroe aprendeu a falar inglês e a calcular o diferencial entre as taxas de juros activas e passivas dos grandes bancos europeus. Marta, por visitar o céu várias vezes ao dia, era a mais bela e amada mulher feita na terra.

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3.12.08

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hand job serie


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30.11.08

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24.11.08

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21.11.08

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fim de semana na arte Lisboa, estarei representado pela galeria BERNARDO MARQUES, -en-contra-mo-nos- por lá.


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10.11.08

porque pediste, aí está

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Esfregavam-se há horas.

Entre as virilhas, nos cabelos, entre os dedos e nas gangas das pernas rebentavam de loucura.

Ambos em cada abraço apertado, à luz de um candeeiro manhoso, cuspiam um fogo mais luminoso que o fogo preso dos arraiais.

Sem que por qualquer momento lhe tirasse a mão das costas, que o empurrava para cima, tapou com o cabelo os olhos para que ele não a visse a prestar serviço comunitário.

Ludibriante, igual às mulheres dos calendários, ela fazia fintas de paixão. Fintava a presa como as rateiras viúvas negras.

Dançava ali achatada sob o peso horizontal do homem, trincava-lhe os ombros e o queixo, beijava-lhe a ponta do nariz e os lábios, dizia-lhe palavras obscenas como nos diários de Bianca enquanto o controlava nas estocadas e no ritmo. Por baixo de si o colchão sujo e encovado de muitos meses. A tirana sorria de olhos fechados àquele cobertor peludo de 83 quilos enquanto amassava violentamente o colchão. Com os joelhos, uma perna e mais outra, fazia as calças dele deslizar do corpo.

A respiração acelerava, os moncos do nariz dele pendiam gordos a prometer uma queda a qualquer momento sobre a maquilhagem Cibelle dela. Já e prazo de se babar, o cavalo abriu os olhos, afastou-lhe o cabelo do rosto com uma arfada, viu-lhe os olhos e arrepiou-se em contracções. Colou-se com toda a força no corpo dela, esperneou em chicote e disse-lhe que a amava.

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ATTITUDE - INTERIOR DESIGN Magazine.

A Alexandra Novo
Editora/ Editor in chief, pediu-me a autorização para publicação deste trabalho na revista attitude. Com aprovação, o trabalho foi publicado- A partir de agora a página "Ponto de Vista" da mesma revista está receptiva aos interessados que queiram publicar os seus trabalho que respeitem/representem a temática do número editorial, por isso ataca.

ATTITUDE Interior Design Magazine
Passeio das Virtudes, 28
4050-629 Porto
Portugal.
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NOW ONLINE
www.attitude-mag.com

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7.11.08

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5.11.08

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trab.2000

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hand job

2.11.08

time out - "o que se passa na cabeça de um artista"

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"o que se passa na cabeça de um artista"
mais um trabalho velhinho a dar ares da sua graça,
esta semana na TIME OUT lisboa

ninja mag


ninja magazine
alguns dos trabalhos, já "velhinhos", na secção ART.
http://www.ninja-mag.com/
um abraço pierre.

27.10.08

aqui fica uma pequena conversa que encontrei à cerca de alguns dos meus trabalhos, roubei a conversa, portanto.
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[a] disse...
O trabalho do Rui, embora inteligível, é particularmente intrigante. Há sempre uma paz nestas personagens amputadas que vai muita além da mera resignação.
Como que se a sua condição lhes tivesse permitido um conheccimento ou uma verdade impossíveis de alcançar a não ser pelo carácter subtractivo da amputação física, amputações que não consigo entender como metáforas.

25 de Outubro de 2008 22:04

sleeping beauty disse...
Acha Ana?
Ou será mesmo uma metáfora a tentar comunicar que amputação ou castração é o mesmo. Numa sociedade que nos quer iguais e formatados e o direito à diferença continua a ser uma miragem.
Acho estes trabalhos muito angustiantes e trágicos. Um aproximar do outro devagar como nos animais. Tentar reconhecer o desconhecido com cuidado. Homens e animais, sempre, nestes desenhos.
Um universo muito interessante e original.
Possivelmente disse o mesmo que eu por outras palavras.

26 de Outubro de 2008 9:05

[a] disse...
Percebo o que diz e também entendo esse sentido metafórico. Mas logo depois, encontro ou pressinto algo nas personagens que me retém na amputação em si e nas suas implicações no carácter psicológico e "espiritual", mas isto talvez, ou somente, por ser algo que me assuste.

26 de Outubro de 2008 13:43


aqui

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o amigo nuno miranda ribeiro teve a excelente ideia de agrupar em blog um conjunto de intervenientes
que falarão de sexo, de pessoas e relações, dos seus e outros desejos, assim como do prazer e do corpo.
surge então o sexUtopia, que resultará com certeza num espaço que nos agradará.

entra por aqui

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16.10.08

sugest

Zaza Fournier - La vie à deux
MASTURBAÇÃO e POLUIÇÃO MORAL;

.

"Vício degradante; poluição moral; vício destruidor do corpo e da alma; vício secreto e repulsivo vício."
a ridicularia da coisa por estes lados

assim a solução à vista seria:






ANTI -MASTURBATORY CREAM

.

12.10.08

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Sem nada nem tudo olhou para as mãos e viu o seu vazio

ao ler as linhas do amor e das vidas cada vez mais pequenas.

Pertencia às escolhidas para ser vivente de uma vida sem amor,

ou de amar abrasivamente, pelas esquinas dos dias, sem viver.

Como uma em cada mulher de cada família, de todas as famílias,

seria mulher sem amor ou dos mortos. Tocou-lhe a si.

Sabia-o pelas mãos pequenas que pegaram do mofo uma fotografia.

Os tios e as tias numa idade de saltos altos misturavam-se numa mancha só como com as duas árvores e a sé.

Uma imagem borrada de negro, aqui e acolá aclarada pela pouca luz do passado.

O relógio da torre sineira, da torre de uma fé que já não reza, parou, perdeu os ponteiros.

No centro, bem no meio da imagem a sua pequenez,

ela menina de vestido longo sem quaisquer folhos de alegria perdida numa névoa negra prestes a cair.

Ali, bastar-lhe-ia um sopro para que se fizesse mais perdida que o tempo.

Uma imagem perdida num dia sem horas,

uma imagem moída onde os rostos dos tios e das tias e dos ponteiros fugiram dela,

uma imagem que lhe revelou uma mulher sem amor e sem vida.

No meio, bem no centro, sozinha de rosto nitidamente caído num vestido sem folhos nem flores de menina,

sozinha mesmo no dia em que engoliu pela primeira vez o corpo de cristo.

Sozinha menina, perdia-se sufocada no negro dorido da fotografia, iam-se-lhe apagando as mãos.

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8.10.08

:

<

Discover Ladyhawke!

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com um jeitinho de the knife... bom

6.10.08

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ainda a recordar....

Depois da biblioteca Almeida Garret - Porto a Exposição S. SALVADOR DO MUNDO atravessa o rio e instala-se até Novembro na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.

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29.9.08

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por que é que grande parte dos grandes músicos não editam discos?
por que é que grande parte dos grandes pensadores não pragmatizam o que pensam?
por que é que grande parte dos grandes jornais não publicam as mais bonitas noticias?
por que é que as torneiras teimam em pingar mesmo bem fechadas?
por que é que grande parte dos grandes escritores não editam os livros?
por que é que César Monteiro é um chato miudinho?
por que é que o pós modernismo não aconteceu antes do modernismo?
por que é que grande parte dos grandes fotógrafos não fotografam com grandes máquinas?
por que é que grande parte dos enchidos são cilindros?
por que é que, e ainda bem, Saramago deixou de estar na moda e nela outra vez irá certamente entrar?
por que é que deitam os mortos de barriga para cima?
por que é que Portugal precisa de uma capital?
por que é que grande parte das janelas batem quando as deixamos abertas?
por que é que os andores das procissões andam nas costas de 4 ou mais pessoas?
por que é que cada vez mais, em silêncio, fazemos mais perguntas?

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17.9.08




em papel; na UMBIGO MAGAZINE
apartir de hoje nas bancas, com lançamento Acompanhado de exposição A FAMILIA na KGALERIA -
Com banda sonora 8551120 Assemblage Project.
tudo hoje apartir das 18:00 horas
Rua da Vinha, 43A, 1200-475 Lisboa

10.9.08

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um, dois , três... CLIC

Não posso deixar de publicar em "post" o comentário do Oscar que não conheço mas que recebi, assim, aqui fica um abraço amigo com o pedido que voltes sempre que entenderes.

"Hombre! Armaste o teu circo mesmo ao pé da minha casa. Acabei de ver o teu trabalho, marcado, no meu entender, por esse discurso feito de transparência e reflexo, tão limpo, mesmo para quem tapa os olhos para não o ver. Porquê tantas testemunhas cegas ao prazer? Seja como for vou te contar uma coisa: normalmente quando vou às exposições não leio aqueles textos informativos sobre o autor e a sua obra (um hábito antigo desde o Rio de Janeiro) distribuídos nas galerias e museus, porque gosto de andar sem leme e achar um lugar para a minha própria opinião, sou facilmente corrompível pelas ideias alheias. Leio muito tempo depois, se houver mais curiosidade, e se autor merecer o meu tempo, que é a coisa mais preciosa que posso oferecer a alguém. Mas no teu caso aconteceu que quem escreve o tal folheto é o valter hugo mãe, um escritor e poeta que tem a minha admiração completa, e que dele leio “o apocalipse dos trabalhadores”. Lona interessante essa do teu circo! Que reune no picadeiro, as minhas perturbações mais interessantes. Volto lá com uns amigos! "

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9.9.08

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GALERIA BERNARDO MARQUES
no rato, rua d. pedroV 81 lisb.

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algumas imagens (pormenores) da exposição 
"circo completo"

3.9.08

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na TIME OUT
por Elsa Garcia

"Dentro de caixas Rui Effe deposita desenhos e silhuetas que projectam sombras. São relicários que guardam histórias. Aí aglomeram-se personagens de circo. Trapezistas, aberrações e seres fantásticos na Galeria Bernardo Marques. 3, 2, 1... O espectáculo vai começar. Como surge o tema circense no teu trabalho? "
CONTINua. aqui

:
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amanhã, é já amanhã pelas 18 horas INAUGURAÇÃO
galeia BERNARDO MARQUES, Rua D. Pedro V 81 - Lisboa.

o valter hugo mae, opina:
Circo completo, sobre o trabalho de Rui Effe

A incompletude será um dos elementos fundamentais da obra de Rui Effe. O que percebemos na narratividade dos seus trabalhos passa invariavelmente por ausências que tendemos a estranhar. A sobreposição das figuras, como se tempos e espaços se convocassem de uma só vez, é assinalada com o inesperado da mutilação e do excerto. As suas personagens podem não ter membros ou não ter cabeça, como podem compor-se de naturezas diferentes, entre a humana e a bestial, bem como se podem encontrar espalhados pela imagem excertos do corpo, mormente pénis, que parecem adornar ironicamente a obra, como bibelots na obra que a desmistificam e contendem com a sua mensagem mais cruel, por vezes até grotesca.
É necessário que se ultrapasse imediatamente a superfície mais encantatória destas imagens, porque o seu lado limpo e de franca leveza, obtido pelo delicado do desenho e muito do seu universo de referências, como os belos membros ou os corações, é apenas um isco para o conteúdo mais impiedoso onde a problemática do corpo se coloca como uma obsessão por uma perfeição impossível. É sob essa capa de quase ingénua beleza que se mostra, e sem na verdade estar minimamente escondida, uma aflita concepção da vida; a narrativa de um sem número de atropelos no corpo que obrigam ao apelo a uma destreza motora diferente, talvez inviável, aludindo sem dúvida ao complexo ímpeto no qual cada indivíduo se adapta e se apropria do mundo enfrentando limitações muito distintas. São terríveis as situações que começamos a encontrar neste circo louco, em que todos se apresentam como raros exemplares da raça humana, exemplares únicos, tão fascinantes quanto dramáticos que, sob o trompe l’oeil do traço sensível e do branco cândido, compõem uma galeria de medos e desejos tão perigosos quanto imorais. A aberração, tanto quanto tendemos a ver nos comportamentos desviantes uma aberração, e comportamentos estes aqui corroborados por uma perspectiva de desvio que parte desde logo do desvio físico, é o resultado mais efectivo do trabalho de Rui Effe; uma aberração de que somos forçados a extrair um prazer, equivalente ao que nos acontece no circo, quando vemos gente diferente que, pela diferença, nos vende uma fantasia sobre a espécie humana que tanto nos atrai como repele. Com este jogo, vemos os dois lados da questão, essa circense felicidade de rentabilizar um defeito ou uma incompletude ou uma demasia do corpo, que leva muitas vezes à admiração, como vemos também a violência da existência levada a cabo num corpo desigual que parece solicitar ao mundo uma medida desigual em todas as coisas, como se tudo se devesse compadecer com tal problema e adulterar, deturpar, num sinal de contaminado respeito.

Nesta fuga tão clara aos padrões mais reconhecíveis, os quais podemos agrupar sob o signo da sempre indefinível normalidade, não admira que também se reconheça alguma euforia, ou porque o espírito se corrompe ou, talvez melhor, porque se fortalece e se levanta de qualquer dos modos, com a força inusitada de quem ultrapassa claramente aquilo que esperávamos. É fácil falar de loucura, mas talvez faça sentido falar em uma outra sanidade, aquela que não encontra no obstáculo uma demissão mas antes um capital, quase sempre erótico, que proporciona uma sublimação admirável.
Que a impressão de incompletude se mantém é inevitável, mas talvez por meios inesperados se componham as personagens e as histórias de bom susto que aqui se contam, numa coerência apenas comprometida com a necessidade de problematizar a diferença, como esta também não pode deixar de viver eroticamente, e como aquilo que nos amedronta pode estar à espreita para o nosso futuro e a aprendizagem da utilização mais insuspeita do corpo pode tornar-se necessária. Entre a inevitabilidade do desejo erótico e a dificuldade de o evidenciar no corpo mutilado ou, por qualquer motivo, deformado, está o circo que, neste prisma, é o único que se completa, variado, belo, assustador, divertido ou cruel, como o circo foi feito para ser.

ESPERO-VOS

29.8.08

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convite
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Circ X Demo
instruções ou clarificações

15.8.08

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3.8.08

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participação no video dos - Lucent Dossier Vaudeville Cirque
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1.8.08

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um canto particular 
em colecção particular
esferográfia, tinta da china e tinta acrílica.

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26.7.08

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 o início do PROJECTO "made in china"*  serviu também para estudos de pintura para fundo e laterais de piscina

o "HOMEM ÁRVORE - 1/4"
desenho / cerâmica.

clicar sobre imagem

* brevemente - novas coordenada do projecto "made in china"

19.7.08

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ilustração - TIMEOUT lisboa - manual de sobrevivência.

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14.7.08

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"uma dor fantasma"
rui effe
entrevista para UMBIGO magazine. portugal, nº 25 julho 2008 . 5€

11.7.08

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Com saudades dos beijos agudos
dos cotovelos e das frescas nádegas nuas,
a cadeira arrepiava-se fria.
A rainha viajou,
a rainha foi-se embora.
Na cabeceira da cadeira os meus olhos.
Nos seus pés, de ouro velho, a minha bába.
Aqui para nós,
assim como só os ramos perdidos nos rios
viajam sempre mortos,
a rainha perdeu-se por outro reino, por certo.

Sem rainha as entesoadas revoluções já se foram.
Já não se repetem as batalhas de cuspo de ontem,
nem o batido de suores nas bandeiras patrióticas onde nos enrolamos,
não me falará mais das viagens que me fez,
nem do nome dos donos das nódoas das almofadas do coche,
que por sinal fincava sempre arreio no monte onde lhe comi os pêssegos.

A rainha arrastou-se pelas suas novas ruas,
foi-se-me embora despida do coche, da bandeira, de mim.
Hoje, tal como todos os reis de voláteis impérios, perdi a coroa.


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10.7.08

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árvore acrobata IN CIRCUS

8.7.08

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porquoi pas moi - IN CIRCUS
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o apocalipse dos trabalhadores
valter hugo mãe

já à venda

"maria da graça – mulher-a-dias em bragança esquecida do mundo – tem a ambição, não tão secreta como isso, de morrer de amor; e por essa razão sonha recorrentemente com a entrada no paraíso, onde vai à procura do senhor ferreira, seu antigo patrão, que, apesar de sovina e abusador, lhe falou de goya, rilke, bergman ou mozart como homens que impressionaram o próprio deus. mas às portas do céu acotovelam-se mercadores de souvenirs em brigas constantes e são pedro não faz mais do que a enxotar dali a cada visita.
tal como maria da graça, todas as personagens deste livro buscam o seu paraíso; e, aflitas com a esperança, ou esperança nenhuma, de um dia serem felizes, acham que a felicidade vale qualquer risco, nem que seja para as lançar alegremente no abismo." na contra capa

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6.7.08

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lugar 35 BRAGA - PORTO.

Deram-me uma saquinha tão bonita, vou levá-la para a recuperação. Escuso eu de andar com um saco plástico, preto e barulhento. Como este barulho me incomoda. Sabes zéza, o dinheiro é água. enfim, ainda jogas à raspadinha? Era o sonho, uma altura saiu-me dez contos. Gastei-os logo no mesmo dia em que os recebi, material para a escola do mais novo, voou.
Ai a puta da vida. ainda dizem que o iva desceu. Que se foda o iva e as minhas artroses, olhe, olhe está a dar-me um formigueiro aqui num braço, nem imagina, por isso ando no doutor lininho, agarrada às máquinas, na recuperação. Ui, mas isto nao é nada, ja tirei o estômago e o baço, o baço adeus, o estômago vai crescendo sozinho por ele. Sabe Deus, já fiz tudo e mais alguma coisa, já meti o tubo umas trinta vezes, enfim. Tudinho. Sabes, aquilo, tem tipo uma lampadazinha, mexe, mexe até descobrir alguma coisa.
O que eu já passei. Com a graça de Deus nem precisei de tratamentos.
Isto foi assim; estava eu a cozinhar, senti um pouco de sangue pela boca, aqui nos cantos dos lábios entendes? Olhei para o espelho e a cor da minha cara nao era minha. Siga para o Porto, fui logo ao médico especialista. Pronto fiquei logo lá internada. Estômago e baço fora. Era tudo benigno, nem o cabelinho perdi, vês?
Preciso é de abater, preciso comer muita hortaliça e grelos, que só fazem bem e muita falta. Não posso ser cortada outra vez à barriga, meu Deus o que eu sofri, é que já vou fazer sessenta anos no dia 9 de setembro, não se nota pois não? Só nas mãos, maldito formigueiro. Sou boa pessoa, nao falo mal de ninguém, por isso ando abençoada. Todos os males estes, nem de tratamento preciso, a não ser este remoer, que parecem formigas, que me lixa.
Olhe, já me está a remoer o pescoço também. É da coluna. Toda uma vida corada a acarretar grades pesadas. Terei que chegar a casa e descansar dez minutinhos. Bem preciso deles, todos os dias.
Estou reformada por invalidez, se não ainda trabalhava. Sou de guerra.
Medicações? Medicações só tomo para o sistema nervoso, até as devia ter trazido, mas pronto, com estas coisas de não querer perder o comboio, até me esqueci. É assim zézinha, é como eu te digo, a gente chega a um certo ponto é so engordar, parece que estouro.
Olha, olha, vês aquele armazém, já ali trabalhei. O armazém da coca-cola. Enfim o que eu ali trabalhei, mas os gandulos dos sócios ou do caralho que os fodam deram cabo daquilo. Abandonei o trabalho, ou ele a mim, falta saber. Consegui a reforma, mas não paro.
Olha a minha receita, acho que não está completa, tenho aqui o nome da doutora em cima, nao é? Nem sei se era doutora ou maqueira, parecia que estava a dormir o caralho da médica. Raisparta os médicos de agora. Fedia a perfume, uiiiii...
Bem, tenho que ir, saio na próxima, até logo zéza, liga-me quando souberes o nome da clínica para este formigueiro.

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1.7.08

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29.6.08

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cartola IN CIRCUS

27.6.08

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pendurado IN CIRCUS

25.6.08

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tied IN CIRCUS
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À Volta do Papel


Vários Artistas
Centro de Arte Manuel de Brito
PALÁCIO ANJO


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19.6.08

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fakir - IN CIRCUS
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15.6.08



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Os santos pararam, deixaram de ter cor.
Pararam bem por baixo da luz que entra pelas nesgas pouco arreganhadas dos altares.
Encharcados pelas sobras salgadas dos fracos que lhes choram,
os santos nem as estrelas e os outros santos vêem,
Param-se sozinhos, param sem mãos para apoiar as suas próprias cabeças.
Como as empregadas que são empregadas dos outros e de si mesmas,
os santos também rezam e transpiram.

Quando não sabemos dos santos é porque se guardam escondidos,
por vergonha, por cansaço, por se verem em maleitas corcundas, tímidos e puídos a
flutuarem delinquentes, quase fecham os olhos e coram.
São envergonhados, os santos,
duvidam dos altares floridos e vão perdendo o juízo.
Como os casais de noivos gastos, pretos e brancos,
duros de secos que encabeçam os bolos de açúcar das bodas,
os santos já morreram.

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é o que é.

12.6.08

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peça pertencente a colecção particular.

3.6.08

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pronto, e agora? agora sou colaborador da TIME OUT LISBOA.

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o cordeiro místico e o domador de feras - IN CIRCUS

29.5.08

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"a ascenção" IN CIRCUS

28.5.08

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É a vaca mais vaca blindada por uma carcaça agarrada aos ombros.
Quem te disse que se esquece da tranquilidade de sonhar em ser princesa e que espia o amado entre as rodas das noras?
A sua história é o sonho tornado na sua história.
Anda em duas patas, veste vestidos mais brilhantes que os semáforos em cidades desertas, canta entre as oliveiras ao par dos pardais.
É uma vaca que sonha como tu, enquanto rodopia em voltas no trilho rasgado pelo persistente pisar dos pés. Delgados e veludos, são finas patas de senhora em nada cascudas. 
Como tu, uma vaca sempre blindada pelas impostas obrigações dos caminhos. 
Uma vaca, que como tu pode ser muito, mais que a realidade da terra que vai calcando.


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27.5.08

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Já ajeitada, como o vermelho das cerejeiras Maria sofria.
Em tudo ia e vinha sem que desse conta.
Trauteavam-lhe somente em rasgo, como batuques secos, as dores no peito e as suas fraquezas de amor. Eram realidades desérticas as suas viagens.
Soubera os navios cruzeiros, ali a vê-la, e todos os tripulantes que lá vão, da dor que se faz no seu pequeno peito esmagado.
Nas mãos uma mala e nos dedos as alsas que os tornavam em migalhas desfeitos sem que se queixassem do sinal da cruz.
Maria voltava sempre à terra das cerejas com a sua mala pequena, pesada.
As vontades de lá voltar eram muitas, eram enormes tal como os desejos de lamber com beijos os seus cães piolhentos que deixara à sombra das cerejas.
Notavam-se vontades de ficar da onde veio e criar seus os que até ali ainda não eram, deixar por tempo indeterminado de ser viagem. Sempre e sempre em viagem ainda que mesmo nao mexesse um pé do sítio onde quer que estivesse.
Rica, Maria, trazia sempre uma mala rasgada pela insistência dos trilhos das idas e das voltas.
Dentro dela uma criança doente dobrada que não chorava. Por medo.
Era uma mala apertada o peito de Maria até o choro sufocado pelas pregas das pegas dos lábios de um amor bebé, dobrado em quatro lhe trepar do seu peito até à garganta. Enrolada em nó, a dor gatinhava em arrasto dorido durante horas, como as ejaculações demoradas. nem da boca de Maria os ais lhe saiam. Quão pequena era a mala de Maria e que medíocre o tamanho do seu peito nesse entalo.
Maria, ia e vinha, e tornava a ir, sem se dar contas no vício, no seu abandono de falsa puta calejada pelas viagens entre os portos.

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26.5.08

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"circus"

22.5.08

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"a mulher de todos os reinos"
trabalho pertencente a colecção particular - elsa viola garcia

"tinta da china e papel autocolante sobre papel."

20.5.08

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tinta sobre papel - desenhos de fim de semana.

15.5.08

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São árvores as esquinas que partem as ruas, largas,
árvores de folhas vermelhas, ai as copas balofas,
gordas e redondas como barrigas prenhas.
Chocalham com o vento miúdo da noite.
São guizos graves como os candeeiros apagados que rangem nas sepulturas.
Nas raizes das árvores das esquinas das ruas largas adormecem os mais inquietos
em embalos de colos de morte de mães e mulheres que por ali adormecem.
As esquinas são árvores adormecidas,
são ruas quebradas, recessas
adormecidas pelo bafo miúdo das noites.

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12.5.08

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Havia um laço muito apertado, um laço preto no pescoço da galinha que a impedia de cantar dignamente. 
Das narinas e dos olhos nasciam-lhe pedras pequenas e redondas. pérolas brilhantes diferentes dos ovos que punha para alimentar os marinheiros já desajeitados das terras, enquanto o medo lhe morava nos gritos de galinha que guinchava como as cordas de aço nos porões.
Num navio que só cabiam todos; dois marinheiros e uma galinha acompanhados por uma insistente lua que entrava pelas frinchas dos cabelos dos gigantes e pelos olhos da galinha disfarçada em trezentos poderosos sóis unidos. o que aquela lua iluminasse seria amaldiçoado.
Uma galinha que chorava sem parar, mesmo quando nos momentos menos tristes, pequenas luas cheias lhe saiam pelas narinas. a noite naquele navio nunca acontecia.
Dois marinheiros e um navio que cresciam sempre e sempre cada vez mais, enquanto iam cegando como o casco do navio sem rumo. dois marinheiros grandes, maiores que a maior pessoa pensada. 
Cada um existia para que o outro não se existisse só. 
Uma galinha que orava em gemidos, rezava o terço em penitência de coisa alguma e a pedido de uma noite só.
Cansavam-lhe tantas pedras presas nas pálpebras e de não poder cantar de prazer ao cair da noite como se lembrava dos tempos de orgia no galinheiro de terra.
Passeava de ombro em ombro, do marinheiro maior, do mais alto para o marinheiro mais baixo ainda maior que as coisas todas.
Eram também criadores do mundo, pelo tamanho e pela falta de orientação. cegavam-se enquanto cresciam.
Dois marinheiros e uma galinha quase esganada pelo laço que era um pelo do peito do marinheiro mais pequeno e maior que as outras coisas todas.
Um marinheiro não chorava, o outro também não chorava, ninguém ali dos grandes chorava, apenas a galinha chorava pelos marinheiros ambos e peludos e pelo cansaço do navio.
A água do mar tornou-se pouca, sentia-se reduzida a uma lágrima de um dos marinheiros que nunca chorava.
No navio, não havia beijos, não havia palavras das bocas dos marinheiros.
Das crateras bocas saiam nuvens de vapor que depressa se desfaziam pela força da lua quente. 
Nem no limbo de uma pequena escuridão, pensada, as bocas dos marinheiros se abriam, assim como dos olhos da galinha não paravam de cair pérolas e mais pérolas de gotas maiores que as ondas das grandes tempestades.
Enquanto o medo mora nos nossos gritos esse navio ainda anda à deriva em dias que nunca descansam.
Ouvi ainda dizer que as sereias são espermatozóides destes dois gigantes e que nadam em mar alto aos milhões.
Dos marinheiros, elas são o seu esperma e da galinha as suas tristes cantigas.

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11.5.08

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desenho sobre "pieta" de William-Adolphe Bouguereau

9.5.08

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8.5.08

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ainda sobre o s. salvador do mundo,
para rever brevemente em s. joão da pesqueira.
(imagens  - biblioteca municipal de lousada onde estará até dia 10)
é o que é.

7.5.08

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Esgaçou um peixe fresco e untou com ele as mãos e rosto, esfregou-se como nas toalhas das manhãs.
queria sentir o cheiro de peixe e do mar que nunca foi semelhante ao cheiro do seu sangue.
Sangue que cheirava a tristeza e a agonia, sangue que raiava por toda a casa,
como nos lençóis e nas almofadas da sua cama só.
Antes que anoitecesse abriu o peixe, esfregou-o pelo nariz e pela boca, raspou-se de tripas frescas enquanto as lágrimas lhe escorriam sincronizadas para as orelhas.
Era sabedor que os odores do seu sangue como o ar quente tinham prevalência nos sítios mais altos.
Estendera-se no chão com o peixe e as suas vísceras,
ambos vermelhos de ventre desfeito.
Por saudade sangrava nas divisões fechadas da sua casa.
Teria que secar o seu sangue e o do peixe com as fraldas de bebé que trazia pelos bolsos,
sabia que os cantos das divisões teriam que ser sugados de qualquer pista.
Teria ainda que acender um cigarro, bafejar o fumo em todas as direcções,
acender lume bem alto e queimar nele os panos.Não restariam provas enquanto comeria o seu peixe.


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4.5.08

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Mais do fado do que de mim,
esta coisa estranha que me trespassa.
Quando partes,
rasgam-se-me os pulsos até as pernas fraquejarem.
é do fado mais do que de mim,
por não me conhecer em chagas assim fadistas.
Foi à morte a quem sempre lhe temi poder
e ao sofrimento a inocência que antecede esse dia.
Agora o medo que os braços me caiam em diarreias,
tal como sofro julgando as pernas que me irão faltar
quando para mim não fores.

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30.4.08

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29.4.08

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Entre as coisas que se apoderaram das outras coisas que se deixaram apoderar,
como as violentas dunas movediças que morrem pelas
potências incondicionais à grandeza dos segredos do vento,
as vacas começaram a cuspir folhas de livros nunca lidos.


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22.4.08

21.4.08

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Desfazia-se em fio como as palavras que esperava num telefone, desfazia-se como um filme que dos centros das celas dos apaixonados aparecem sempre, desfaziam-se-lhe as pernas rotas e queria nelas cravar ferramentas de salto. Ferramentas grandes e altas, deveras inteligentes, que, quando poisasse os pés no chão, rangessem como molas poderosas de impulsão, como as pernas ziguezagueadas dos gafanhotos; ser de quitina e leveza, quase voar. Queria ter-se em apertos melosos urgentes, mais rápido que a velocidade do toque dos telefones que não tocam.
Trocaria sem dúvidas as pernas pela mecânica das espirais das molas, pelo exoesqueleto dos bichos mais feios e estampar-se em quem espera ainda mais liso do que as imagens nas telas dos cinemas.

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é o que é

17.4.08

:

"Querido neto, sei que nunca me irás esquecer apesar de nunca me teres conhecido. Decidi eu deixar-te como fortuna, não as tábuas e os serrins já deixados à tua mãe mas esta pintura. Foi-me pintado este retrato por um cliente em troca de serviços rogados, que por não seres dignos da tua inocência, irão comigo à morte, em segredo.
Dei-me à vida e às ocasiões, dei a alma aos insatisfeitos, e a serração dei-a  à tua a mãe. 
Agora que me és família, que nasceste do sangue que também é meu, vejo-me na inquietude de te pertencer também. 
Nada mais tendo para te oferecer, se não a minha imagem, a minha dor, a minha insapiência aqui domada pelos pincéis ainda que incapazes de te falar ao ouvido.
Espero um dia que me sintas tua, que me sintas vida passada e recuses sempre semelhante trilho.
Nada mais tenho a dar-te, meu querido neto, se não o ar de alguém que não devas ser, que acarreta consigo as gavetas fechadas de uma triste vida.
um beijo da tua avó"

( retirado de - conto 3) rui effe

15.4.08

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"I know you in-inside"2008

11.4.08

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the jump of ours masturbations

5.4.08




parte de 8 femmes, de ozon, com a fabulosa Isabelle Huppert
à pensão matos, é o que é.
.
(sílvia, falho em algumas palavras deste texto, fabuloso. assim TPC, quando poderes)

3.4.08




foi aberto o concurso "la tournée em conto" às escolas de ensino básico e secundário de esposende. os alunos de esposende, visitam a partir de hoje a exposição "la tourné", para se orientarem, por uma ou várias imagens escolhidas, na escrita de um conto. a proposta foi lançada pela casa da juventude de esposende e abraçada pelas escolas da cidade. 
o conto será avaliado pela câmara municipal de esposende, assim como pela casa da juventude.
os trabalhos deverão ser entregues em envelope fechado devidamente identificado até dia 9 de abril. 
em mão ao Dr. pedro correia, 
ou pelo correio (ctt) para seguinte morada : 
casa da juventude 4740 esposende
não existem quaisquer regras quanto ao tipo de letra, espaçamento ou mesmo número de palavras. assim sendo, o conto deverá apresentar-se da melhor forma achada pelo concorrente (individual).

o prémio será uma das obras presente na exposição "la tournée" que será entregue em data a combinar com as escolas.

mais coordenadas sobre o concurso "la tournée em conto":
dr Pedro Correia
casa.juventude@cm-esposende.pt
Tel 253.960.010 | Telm 961.526.704

vejam lá se isso fica bonito.

31.3.08

a quem me diga mal de almada torcer-lhe-ei o dente do siso.
fim de semana satisfeito, ao som dos assobios dos ésses do miguel, das mais fabulosas distracções cândidas da elsa, das palavras interessantes da bárbara e dos seus textos magníficos, das praias, das rua parecidas com as minhas e da bela vista que nem lisboa sabe que tem.
que saudades já da pensão matos e do sofá preto, da minha toalha de banho castanha e da planta carnivora com nome de gente. dos polícias e ladrões de brincar, do andar do bailarino, que saudades. das músicas que me chegaram, dos filmes a meias e do sumo de frutos exóticos da compal. 
esta noite não acordei arrepiado com o galo cantor das 4 da manhã.
não tive o "solinho" quente da tardinha nem todos os outros muito lindos "inhos". que saudade de me sentir melado por me ter ali como em casa.
beijos ao cristo rei e aos carris que me apontaram essa direcção. será ali a marca do meu sítio ao sul. 
mais não digo porque não preciso. tenho novos amigos, é o que é.

27.3.08

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Isto de andar a desenhar sobre quadros famosos e bonitos tem o que se lhe diga, tem que se lhe diga pela simples razão de me apetecer brincar com as ideias que tenho das possíveis ideias, (uma vénia) que tiveram os pintores correspondentes. Os malandros, depravados de espírito, terroristas aos menos inocentes queriam sempre dizer muito mais do que aquilo que disseram, mas isso já todos sabíamos e vamos sabendo, evidentemente. Lindo é realmente entrarmos em estado esquizofrénico e gozar (em português) e gozar (em brasileiro) sobre as interpretações que dessas pinturas que hoje fazemos à luz de lâmpadas florescentes e outras com nomes mais elaborados, tal como à luz de um bom copo de vinho bem arejado. É óptimo. E até parece agradável. Abrir as pernas aos anjos, exagerar nos maneirísmos dos maneiristas, absurd(izar) algumas situações e dar-lhe até um fundo meladamente romântico.
Como não sei fazer bolos e esqueço-me sempre de alguma coisa neles importantes, como a farinha, como o açúcar. Ora muito bem, no entanto, tento não me esquecer de colocalizar um possível e estranho diálogo entre personagens com 500 e tantos anos de distância. Pois. Até me apetece ouvir os davince a cantar "já fui ao brasil " e a outros países por aí fora. Será que escrevi bem davince? Dizem que estou de férias. É o que é.

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26.3.08

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24.3.08

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"sobre" a deposição de cristo de Pontormo, o quadro mais fabuloso, alguma vez feito 

22.3.08

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soy por el realismo grotesco,
por el coito, por los carnavales
por los besos públicos y por las procesiones,
soy de los genitales y de las amputaciones,
de la caída espiritual y portugal
auque de todos los otros miedos.


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21.3.08

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“La nueva y definitiva religión que yo propongo a los hombres es la Egolatría. Cada uno se adorará a si mismo, cada uno tendrá su dios personal: él mismo. La reforma protestante se alaba de hacer de cada hombre un sacerdote; nada de intermediários entre la criatura y el Creador. Un paso más: nada de intermediários entre el adorante y el adorada. Cada uno es, para si mismo, su Dios.”
Gog. Giovanni Papini







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17.3.08

um intervalo com Victoria Lamar a big hollywood  star



16.3.08




la tournée

pode ser, suspeita-se que parte dos desenhos ou trabalhos na sua integra e expostos nesta tournée sejam censurados, assim, toca a mexer a esposende antes que venham os senhores do lápis azul e as peças sejam retiradas ou tapadas.
até porque os desenhos sobre pele, que lá se encontram, já passaram pela experiência de serem atirados censur(icamente) para as arrecadações de um mosteiro minutos antes da inauguração de uma exposição, vá-se saber porque. possivelmente pelas pilas que nunca, ninguém, sequer, jamais, ou algum dia, viu. ou seria que os trabalhos não espelharam a temática pretendida numa exposição sobre o grotesco e o barroco?pode ser.
caros senhores e senhoras, meninos e meninas, toca desenhar "figura humana", cães e gatos, galinhas e patos sem erecções porque o viagra em portugal ainda não chegou ao desenho nem à pintura. 
portugal é um anjo, portanto, pilas pequenas e mirradas, se possível tapadas, pois estas últimas é que estão em posição de serem admiradas em qualquer exposição. será que voltamos ao tempo da outra senhora?
há que atender que, se o anjo e a sua erecção forem estrangeiros podem ser considerados válidos, tal como os nacionais atirados tantas vezes às paredes das casas de banho públicas, querem uma aposta?

15.3.08




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la tournée

Tenho uma dor fantasma de um membro que me foi removido à pressa. Sem cortes limpos nem direito a anestesia. Deste côto pende-me um coração de metal, com pintura preta de esmalte e cobertura anti-corrosão. O membro já não o vejo, a sua forma fica-me apenas como uma impressão difusa. Há quem me recomende uma prótese mas eu já não sei andar com duas pernas. Dói-me o pé que não tenho e sinto comichão num dedo morto em que coloquei este anel vivo. Devia deitá-lo fora? Esta noite vou sonhar com a avó emprestada. Espero que a ligação não caia. Quero brincar outra vez com os bichos-de-conta e comer pão com manteiga. Os meus pais foram ao funeral e eu não quero ceder ao impulso que me acorda. Faz calor e amanhã sei que pecarei. Ainda só disse isto ao gato... Sexo, veias, afectos, músculos e medos. Os sonhos misturados na realidade. Uma patologia saudável de contornos por esbater. A memória fresca e vincada como sulcos abertos na terra seca. Não estou seguro, mas caminho em frente e sei que me arrependo. Antes do espasmo tudo vale e eu finjo-me forte. Depois é a carne e o leite. Os antepassados, o cheiro do galinheiro, a pata do Piloto na testa, eu e o que virá. Todos conectados por USB numa história que já não é minha. Eu tu ele nós vós eles. Fico nú. É estúpido, isto? “Nadinha”, diz-me o Rui. “Fiquei foi baralhado se era do texto, se de ti, se do momento”.

Miguel de Matos - umbigo edições , 2008



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14.3.08



casa da juventude de esposende
desde hoje até 5 de abril
la tournée

expo. de desenho sobre papel e pele.






articulações, sobre desenhos de Rui Effe 

Numa primeira aproximação, muitas das figuras de Rui Effe parecem vir daqueles bonecos de cartão que, com articulações de metal, movimentam membros e cabeça, cima e baixo e aos círculos. Isto porque é frequente depararmo-nos com figuras cujos membros ou cabeça parecem jazer pelo chão como peças por montar na estrutura no corpo. Esta é uma primeira impressão que ajuda a que só numa segunda camada de entendimento passemos dessa ideia, de alguma lúdica aparência, para uma interpretação mais correcta e gravemente mais violenta daquilo que afinal estamos a ver. É nítido que o que está em causa são figuras que apresentam algum tipo de deformação ou mutilação, numa intensa reflexão sobre a condição da diferença física, como um fascínio dotado de boa dose de medo. Os excelentes desenhos de Rui Effe reflectem sobre a candura interior por oposição a uma acidentada forma. É como recorre muitas vezes a rostos e corpos infantis que querem aludir à esperança remanescente ou, então, já defraudada. Isto vê-se como se Effe mostrasse máquinas que se fizeram com defeito ou se avariaram, ficando jogadas para um canto sem saberem exactamente como agir, sem saberem o que lhes compete, afinal, na condição mais difícil com que se deparam na vida.

Não há concessões. Os corações são pretos e tristes. Existem animais mesclados com as figuras humanas como se uns e outros fossem da mesma bestial qualidade. O definido de alguns membros não é acompanhado pelas proporções dos outros, criando aquela impressão de que quem não tem pernas muscula os braços, ou quem não tem braços muscula as pernas. Existem, assim, elementos de perfeito trabalho físico, como apontamentos de beleza num corpo não totalmente completo, ou parcialmente imperfeito. Tudo leva à ideia de o indivíduo ser, ao fim de contas, fragmentário e composto por realidades muito diferentes.

Como um boneco, o homem é bicho de articulações estabelecidas entre medos e sonhos, entre braços, pernas e todo o espaço quanto ocupe. O homem é uma realidade só passível de ser aferida pelo recurso também ao subjectivo e até insondável, por se encontrar sem hesitação no complexo raio de ligações emotivas que, as mais das vezes, estão para lá do corpo, como um pé ou uma mão que se arreda e sabemos que, não podendo ser recuperados, farão sempre parte do indivíduo no que há de mais profundo na soma do seu ser."

Valter Hugo Mãe 

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la tournée

Rui Effe apresenta, a cada traço, uma exímia abertura a um espaço interno, numa mistura fortemente irónica de elementos naturais com elementos do mundo psicológico feito de medos e angústias que se fazem representar por mutilações. A relação imagem/ideia é feita de forma exigente, independentemente das sensações mais ou menos oblíquas, mais ou menos prolongadas, que passa de uma absoluta estranheza a uma lógica existencial.

São os medos e as angústias das personagens, são, na realidade, os nossos medos mais profundos e as nossas angústias mais recalcadas.

sílviaefe

9.3.08


a 1ª tenda do meu circo já anda por aí,
toca a comprar o bilhete 
ler na revista
bigOde #4


Lisboa:
Assírio&Alvim
Buchholz
Ler Devagar (Cinemateca)
Ler Devagar (Bairro Alto)
Livros do King (Cinemas King)
Livraria Apolo 70
Fábrica (por cima Benetton Chiado)
Galeria Diferença

Porto:
Gato Vadio
(In)Úteis (Livraria Serralves)
Maria vai com as outras
Matéria Prima (Edifício Artes em Partes)
Pulga

Leiria:
Arquivo



carrego comigo o circo
início de  la tournée 14 de março
(brevemente novas coordenadas ainda neste post)

4.3.08

:

doem-lhes tanto as pernas que se julgam mães e pais dos anjinhos todos,
pesam-lhe nas cabeças os muitos anjos e as suas casas que são as nuvens, sabias?
na verdade, lá em cima, consegues ver?os anjos vivem sozinhos, cada um em cada sua nuvem, mas quando elas se cruzam e ficam como que uma só e enorme nuvem, os anjos ficam contentes por terem visitas e riem-se muito. se estivermos atentos até daqui ouvimos as gargalhadas e se for o caso de os conseguires ver, até dão beijinhos para nos fazer rir, também.
cá em baixo na cabeça das pessoas velhas que quase não vêem, quando as nuvens se juntam, o peso sobre elas é maior, e como hoje, fazem-lhe doer as pernas. vês como mancam?


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26.2.08

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music today;
logh - Swedish band - song writers

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25.2.08

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nunca gostei das flores nos ramos,
nunca suportei o cheiro das flores dos molhos,
nem das flores que como presentes se dão.
quando morrer nunca me leves flores nos punhos,
leva antes cigarros a mais para que por lá te demores,
leva um copo de vinho e ri-te com os demais em brindes e goladas,
sobre mim,
quando não poderes aparecer
traduz estas palavras em todas as línguas,
atira-as ao vento
quem sabe receba estranhos para frenéticas orgias
e partilhe os longos serões à luz das velas.


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:



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"My Body is a Cage"
arcade fire

23.2.08

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21.2.08

era costume clara vestir-se para abrir a janela,
mostrar-se enfeitada de contos e histórias pequenas.
ontem abriu a janela nua dos capítulos roucos que a mascaravam
para que lhe descobrisse quão mortal também era.
rendeu-se à verdade dos prantos falecidos dos poemas mais tristes
e deixou-se cair sombra nos braços mudos da morte.
disse ainda adeus ao abandonar-se das capas rijas
dos livros das histórias pequenas mais compridas,
enviou um beijo aos muitos que do terreiro a viam,
deslizou,
serpente-ou pelo parapeito a dentro,
para lá da janela, desapareceu.
...
nas folhas em branco dos livros plantar-se-á clara
para que nas noites mais calmas e nas pausas das leituras
todos se lembrem dela.

::

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20.2.08

:

desde o pecado original
que trazia na cabeça um chapéu de folhas e serpentes,
ao peito uma maça mordida e
no sangue boiavam-lhe inquietos escorpiões vermelhos.
vivia dentro de uma árvore com raizes secas, aguentada naquela terra árida quase branca.
quanto lhe custava imaginar que seria esse o seu último lugar
e que nele, ainda, se sentiria comida por serpentes e escorpiões.
a sua carne putrefacta aguentava ainda as dores dos ossos
e o picar dos bichos naquela planície de ninguém.
lá, a terra já mais se lembrava de ter visto gente.
era simplesmente uma árvore, mais tronco simplesmente oco, que árvore.
um tronco escavado em gruta vertical parecido.
era aquela a sua última casa longe de qualquer gesto de vida,
e amou aquele lugar como tivera amado o pecado.
ali, nunca ninguém a poderia ver morrer,
e amou aquele lugar porque a morte nunca a entenderia morta por ali.

era o primeiro leito dos mortos aquele lugar
escolhera a sua urna e o lugar do resto dos seus dias.
um tronco, uma árvore, uma planície de terra gretada.
abandonou-se de si, do seu amor, e da vida, temeu deus.
entregava-se à secura do nunca visto e ao lugar eterno dos pecadores
ao encostar-se no interior da árvore abraçada a si mesma.
nem por ela se deu morta.

ao morrer, as serpentes começara-lhe a sair pelas narinas emaranhadas nas suas caudas.
enquanto que de cada dedo e de entre as pernas eram jorrados jactos de escorpiões vermelhos.

o tronco ficou pequeno para os tantos escorpiões e serpentes que se iam sufocando e morrendo.
um a um e secando aos pares, caiam em manadas pelo corpo até o tronco ficar cheio e a sua entrada se fechar.
era uma macieira morta com bichos mortais mortos
um tronco cheio de mortes.
numa planície rasgada pela secura e por aquele tronco,
por aquela urna lacrada de mortes onde a noite era sempre mais cedo.

diz-se que aquela árvore tem muitos milhares de grandes séculos
e que é nela que o sol, todos os dias, se põe a dormir.

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17.2.08

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Estendia-se feminina na quase maior cadeira de todas as cadeiras do castelo.
Estava morta na sala onde havia uma outra mulher que estava morta noutra cadeira ainda maior.
Como todas as mulheres mortas, aquelas eram belas e femininas. Mais belas ainda.
Ocupavam a sala, as mulheres, desde os pianos até às janelas estreitas
O sal dourado, vindo delas cravava-se na pele fazendo-as estendidas em brilho.
As mulheres mortas serão sempre mulheres maiores, como as salas vazias
não precisam de cadeiras altas, e largas, e tronos, e de gente a cirandar.
Querem-se sempre grandes em maiores ares.
Na sala da música eram duas mulheres e muitas cadeiras.
Estendiam-se gordas de beleza pelas franjas dos vestidos.
Eram rainhas mortas, mulheres maiores,
como os pianos pretos depois do concerto das suas vidas.

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16.2.08

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music today - emilie Simon

12.2.08



hoje o carlos b.s. do mundo imagens, apresentou-me este fabuloso video, confirmem

11.2.08

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:
por fim . 
s. salvador do mundo
 edições GAILIVRO, SA
texto valter hugo mae
ilustração rui effe

:
fotografia v.h.m.

10.2.08

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music today;

 devorar estes video clip`s do lado direito
SIGUR rUS

untitled Vaka
Glósóli
Hoppipolla
Saeglopur

faltando aqui, outros tantos genialisticamente fenomeais do mesmo senhores.
como o "Svefn-g-englar" e sobretudo "vidrar vel til loftarasa" 


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4.2.08

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3.2.08


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project t-shirt "sacode a mosca ao grilo" - numeradas 1 a 10 moscas.



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26.1.08

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:
captain hook

25.1.08

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music;
hoje -Soha - C’est Bien Mieux Comme Ça - français-africain - pop nouveau

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hoy, más una vez desperté en novedad. novedad en verme dividido en tres. devidi-me y era yo, yo y más yo. una confusión de aquellas que sólo en fábulas. no pude conmigo al verme separado de mí, tantas veces. traté los otros mis yos por usted por haberme sido dividido. sería de la luz, de los pájaros que ya se arman en tenores o de la niebla de las siete de la mañana. volví para casa y sólo por la noche me vi en un sólo.

:

24.1.08

:



:
are you there?
she answered without looks at it.
- still can we love ourselves?
he played with the Spanish language and answered with a another one question.
- y mientras tanto quien comemos?
- je me suis oubliée que la relation d'un couple n´est jamais à deux.
:

j'ai souffert avant de souffrir comme les veilles de tous les mercredis. je devinais déjà le future. je réusissais comme mage, je craignais. je craignais de passer un jour difficile si tu veux le savoir. si tu veux le savoir le mercredi est passé, un jour difficile de la semaine, faite par moi, biensoûr. et si tu essayes encoure de vouloir savoir, je me suis amusé au déjeuner. j´ ai bu la bière pendant que je entendais le moteur du moulin du café et les phobies des collègues, là. ensuite j´ai dormi dans les jardins et j'ai erré par les courroirs somnambule. si tu savais que c´etaist un mercredis comme presque tous les mardis, aussi tu n'étais pas apparu. aujourd'hui c´est mercredi et ce n'a pas été amusant aussi bien. ruben marchait d'agrafeuse de pression la main en massacrant les fesses des collègues, déjà je le craignais.

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provisório.

19.1.08

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18.1.08

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17.1.08

music today

hoje - karolina & funset - reggae - funk

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14.1.08



a great hug 
for 
Springfiel, Virginia  
u.s.a.



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13.1.08

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12.1.08

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music today;
sessão de discos pedidos
Tom Waits - singer writer - (old songs)
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11.1.08


nota de imprensa:
pintar de verde com letras
projecto do Ministério da Cultura

"são salvador do mundo"

texto valter hugo mãe
imagens rui effe


7.1.08

preciso de uma susgestão para o link do lado(youtube)
"music - today"
ataquem aí.

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4.1.08

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a gata borralheira e os 7 martelões


3.1.08

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a graça e garça

31.12.07

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bonne année,buen año, goed jaar

29.12.07

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28.12.07

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pertencente a colecção particular vhm.

26.12.07

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:



na cabeça do génio se encontram todos,
uns e outros ligados pelo fumo estranho
da lâmpada. o que se acende, tão rapidamente,
pode ser coisa do desejo, da necessidade,
da morte. a cabeça do génio, esfregada
cuidadosamente pela criatividade, o que existe
comtempla-o e julga-o nunca permitindo que
seja feliz e, menos ainda, se sinta coberto de
razão


_____
1º a imagem depois o poema 4
texto valter hugo mae
imag rui effe

24.12.07

:

music;
hoje  - nizlopi - pop rock - singer writer

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22.12.07

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20.12.07

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uma piscadela 
do menino


 




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este blog agradece 
a pessoas muito importantes para a sua produção 
uns esporadicamente, outros aqui e acolá,
a alguns sempre
sem esquecer os comentaristas.
assim, a todos que foram dando poder à sua continuidade, um grande obrigado com
beijos e abraços e ferradelas nos cachaços
do menino jesus

19.12.07

:

music;
hoje - Erik Enocksson - shoegazing - experimental

:

15.12.07

:




:

7.12.07

:



:

pássaros

6.12.07

:

music;
hoje - Maia Hirasawa - swedish pop - singer-songwriter

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4.12.07

:



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chegou tarde e hoje, a revista "la pell del llavi" tarragona span, onde tenho participado
as 3 imagens foram alteradas pelos editores, sem consulta prévia. é o que é.
ver, imagens a baixo: "Like I love " no post de
SEGUNDA e SEXTA-FEIRA, JUNHO 25, 2007
:

2bocas

 
Numa vertical duvidosa existem estacas
que ligam uma velha varanda à terra ensopada do lugar,
por baixo, estende-se em cumprimento um homem fraco
com grandes mãos escondidas pelas bolsos sem forros quentes.
Os olhos que trazia fugiam-lhe pelas orbitas como Plutão do sol.
na perna exibe um ferida que brilha à 6 anos, aberta em forma de boca,
de lábios gordos e esfarrapados, via-se. 
viam-se os ossos estriados por terem sido  fossados em desespero.
piava  ontem em voz alta que as chagas voltaram
por não ter ar fresco durante a noite, a sua anestesia,  
dizia que as horas dos seus calendários 
não regressavam dos meses perdidos
da altura que corria e saltava da varanda do tio avô  para a terra.
ontem,  quando via alguém alargava o  olhar,
gritava-lhes que os vidros nunca seriam das janelas,
nem as degraus das escadas. Delirava?
"já se perderam as sombras pelos reflexos", cantava e sofria.
a ele foram-lhe tiradas as razões das gavetas, contaram-me. 
as  gravatas voltaram-se contra os seus fatos, 
os dentes contra a sua boca. 
quase ninguém o entendia
pela força com que a sua língua tocava  nas gengivas.
só os distraídos do mundo iguais a cães e os perdidos nos calendários o ouviam.
tinha sido gente famosa e saíra nos jornais muitas vezes
exibindo sempre no peito grandes medalhas de atleta
lembrava-nos que o primeiro dente que lhe faltou, 
saltou-lhe da boca quando desmaiara depois de um salto de alegria,
tinha sido vencedor, esqueceu-se de respirar, caiu.
tinha lembrança dura da falta do segundo dente
ficara-lhe agarrado a uma das estacas que erguiam a varanda à seis anos a trás,
tinham lhe dito um dia, que se mordesse as coisas como muita força seria a melhor forma de suportar as dores e purgar a alma.
tal como um rato, fez por triturar só uma das estacas da varanda. 
uma só, a mais sua, dizia, "tenho-a talhada como o um altar, é minha".
uma talha suave sob força do desespero, mordida agora sem dentes.
ainda que estendido era estranhamente feliz ao meio dia,
altura quando a medicação que roubara ao seu tio avô
e dono da varanda começava a fazer  efeito de delinquência.
ao meio dia não esbofeteia as gengivas com força. nem delas se lembrava.
feliz por se fazer entender ao próprio e às gentes, a boca que trás à perna agora canta com ele igual ao espirito santo.
canta pelas dores dadas pelo sol 
que lhe entram pelas frestas do altar e da chaga em anunciação.

29.11.07

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DESENHO E TINTA SOBRE TELA
200cm x 200cm

AINDA EM EXPOSIÇÃO PELOS ESPAÇOS da CASA das ARTES de FAMALICÃO
rui effe
(fotografias por telemóvel - v.h.m.)

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28.11.07

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No oriente das salas as pessoas são coisas,
atropelam-se e desfazem-se em cacos por um lugar.
Aguardam coisas novas, não suas e
sentam-se como as coisas já sentadas.
da merenda
não comem as tangerinas que trazem
e nos punhos apertam-nas como coisas suas.
No oriente das salas as coisas não têm importância,
as coisas principais da espera são bocejos
e as mãos já são gomos.

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24.11.07

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22.11.07

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music;
hoje - katie Melua, singer/writer - acaustic/classic/pop ballad

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tudo muda,
muda o superficial e profundo
até o teu modo de pensar muda,
mudas as palavras.
muda até o que não é estranho,
muda a tez pelo sangue,
mudam as bocas por fogueiras.
já mais lume brando
quando roubas um beijo

.

19.11.07

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music
hoje - Julie Feeney, vocal folk - avant-pop - irish singer-songwriter

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17.11.07

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10.11.07

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9.11.07

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music;
hoje: Little Dragon - electrojazz - glitch-soul - broken downbeat

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5.11.07

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music;
hoje : Mansfield.TYA - timate pop-rock - folk - chanson

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4.11.07

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